Seu filho está aprendendo inglês ou só brincando?


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Você ainda deve se lembrar do tempo, não muito distante, que ensinar inglês para crianças pequenas era um tabu, um bicho de sete cabeças. Para muitos, era impossível. Para outros, prejudicava para o aprendizado da alfabetização. Para outros ainda, era simplesmente desnecessário. Foram muitos “nãos” antes que o caminho da aceitação do ensino de inglês na pré-escola fosse aberto. Como, felizmente, tudo evolui, hoje a realidade é bem diferente.

Ninguém mais duvida das vantagens e dos benefícios que o aprendizado na infância trazem. Você já deve ter visto, e achado absolutamente normal, escolas de educação infantil oferecerem aulas de inglês a partir dos 3 anos como parte de sua programação, e cursos de inglês abrirem cada vez mais suas portas para os pequenos. O “boom” de escolas de educação bilingue que temos visto nos últimos anos também ajuda a comprovar a maior conscientização de pais e educadores para importância de se começar cedo.

Hoje, portanto, nossas crianças já estão começando a aprender inglês desde pequenas. Assim, elas podem usufruir dos benefícios de adquirir o novo idioma com as facilidades características da idade. Questão resolvida, certo? Nem tanto.

Convido-o a explorar um pouco mais a fundo como estas aulas de inglês tem sido conduzidas. Você já prestou atenção na metodologia utilizada pela escola infantil ou pelo curso de inglês do seu filho? Se pesquisar um pouco, é muito provável que encontre as expressões: método lúdico ou aprender brincando.

Afinal, o que realmente isso quer dizer???

Os dicionários definem a palavra lúdico como sendo “referente a, ou que tem o caráter de jogos, brinquedos e divertimentos”1. Portanto, método lúdico significa que o aluno brinca e se diverte em sala de aula. Mas, será que ele realmente aprende?

Existe uma tênue e perigosa linha entre aprender brincando e simplesmente brincar. Brincar é se divertir, com o único e exclusivo objetivo de entreter-se. Quando criança está brincando, ela inventa suas próprias regras, e o resultado da brincadeira é simplesmente a diversão. A criança usa sua capacidade criativa para se divertir.

Aprender através da brincadeira, por outro lado, envolve um principal elemento que a brincadeira pura de criança não tem: o objetivo de passar um conceito novo à criança de forma suave e prazerosa. Ensinar através da brincadeira é, ao contrário do que possa parecer, muito mais difícil do que simplesmente ensinar, da forma tradicional.

Quando ensinamos algo da forma tradicional a um adolescente ou a um adulto, expomos o que queremos ensinar, e cabe ao aprendiz decidir se irá aprender aquilo ou não. O aprendizado é totalmente consciente, e depende única e exclusivamente de quem está aprendendo. A missão do professor, que é também o grande segredo de ensinar jovens e adultos, é facilitar este aprendizado provocando o interesse do aluno pelo que é exposto. Mas quem decide se vai aprender ou não é sempre o aluno. A motivação vem do aluno, esteja ele precisando daquele conceito para a vida profissional, para passar em um exame, para fazer uma viagem, ou para conseguir realizar aquilo que sempre quis. Se, por outro lado, não houver motivação, interesse ou a vontade consciente, o aprendizado simplesmente não ocorre.

Analisando o aprendizado infantil, nos vemos diante de um mundo totalmente diferente, novo e intrigante: o mundo do aprendizado inconsciente. A criança não decide o que quer aprender. A criança não tem censura, não tem bloqueios, não tem a consciência do aprendizado. A criança simplesmente absorve o que lhe é exposto, desde que, é claro, esta exposição seja feito da maneira apropriada. É aí que entra o famoso aprendizado lúdico. Crianças gostam de brincar e se sentem bem fazendo-o. Nada melhor então do que usar a brincadeira como um veículo para o aprendizado! Mas, cuidado! O professor precisa ter plena consciência do que está fazendo para não transformar tudo numa simples brincadeira.

Então vamos lá. Porque usamos brincadeiras nas aulas de inglês? Por várias razões, a principal delas sendo os dois sentimentos chaves que PRECISAM existir para que qualquer aprendizado ocorra: motivação e interesse. Já experimentou perguntar a uma criança de 4 anos porque ela aprende inglês? Você provavelmente terá duas respostas: “não sei” ou “porque é legal”. A segunda resposta indica que o método utilizado está sendo realmente eficiente, pois está motivando-a através de atividades prazerosas a aprender. A criança gosta da aula, por isso se deixa envolver, e assim aprende. Quanto à primeira reposta… acho que você pode tirar suas próprias conclusões.

As teorias de aprendizado de línguas mostram que todo indivíduo possui algo que chamamos de “filtro afetivo”, ou seja, quanto mais o aluno é atingido emocionalmente pelo que está sendo ensinado, mais ele se abre para o aprendizado. Em outras palavras, quanto mais ele gosta e se sente bem, mais aprende. Está aí a primeira razão para usarmos brincadeiras no ensino de inglês para crianças: as brincadeiras fazem com que a criança goste da aula e esta é a motivação de que elas precisam para aprender. Crianças motivadas estão totalmente abertas ao aprendizado.

Brincadeiras também têm o poder de manter a criança interessada, outro ponto chave no processo de aprendizagem. Crianças se interessam por jogos, brincadeiras e desafios, e com isso se envolvem de corpo e alma no que estão fazendo. É aqui que entra o aprendizado inconsciente. Um método de ensino de inglês para crianças só funcionará se souber envolver seus alunos de forma que aprendam “sem perceber”. Este é o grande segredo!

Mas, como fazer isso? Para o professor, as brincadeiras tem que ter um claríssimo objetivo. O professor só deve propor uma atividade, um jogo, ou um desafio se tiver plena consciência do que quer conseguir com aquela atividade. Pode ser um jogo de apresentação de novo vocabulário, ou um jogo que provoque a comunicação em inglês, ou ainda um jogo que mostre o significado das palavras. Tudo pode, desde que o professor saiba qual o objetivo, e desde que saiba conduzir a classe para que alcance este objetivo. Na visão do aluno, ele estará simplesmente brincando, e seu objetivo será ganhar o jogo, ou vencer o desafio proposto. E, se para isso, ele tiver que usar aquilo que está aprendendo, ele o fará sem dificuldades, sem travas, sem medos. Melhor que isso, sem perceber! Dá-se então o aprendizado natural, inconsciente, mais eficiente, e a mais gostosa forma de aprender.

Aprender brincando é o melhor que pode acontecer à uma criança. Já ensinar brincando é coisa séria, que requer muito preparo, conhecimento e experiência, pois um simples detalhe não visto ou não previsto pode por tudo a perder.

Sylvia Helena Palma de Moraes Barros

Fonte:
1Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa – 2a edição – Editora Nova Fronteira – página 1051.

Sylvia Helena Palma de Moraes Barros é diretora pedagógica da rede inglesa de franquias THE KIDS CLUB by Fun Languages que em 2014 completou 20 anos de atuação no Brasil. A rede é especializada no ensino de inglês exclusivamente para crianças de 03 a 10 anos e conta com mais de 100 unidades em todo país, além de atuar em mais de 300 escolas infantis como terceirização.
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